A FESTA DAS LUZES

29/11/2013 - por Raquel França | Seja o primeiro a comentar!

A FESTA DAS LUZES

“E Yehudá Macabi e seus irmãos, com toda a comunidade de Israel, resolveram que a data da reinauguração do altar deveria ser celebrada, ano após ano durante oito dias, desde o dia 25 do mês de Kislêv, com alegria e regozijo”. (I Macabeus, IV.57).

Uma vitória militar e uma reivindicação espiritual é o que comemora Chanucá, festa que se celebra durante oito dias, a começar de 25 de Kislêv. Corresponde esta efeméride à rebelião da Judéia contra o domínio sírio (século II), encabeçada pelos Macabeus; e seu feliz desfecho, apesar das condições inferiores dos israelitas frente ao inimigo poderoso, dão a este episódio um caráter milagroso e infundem na comunidade judaica um sentimento de admiração, impregnado de esperança.

 

SIGNIFICADO DE CHANUCÁ

Chanucá significa em hebraico, inauguração. Refere-se, neste caso, à reinauguração do templo de Jerusalém, primeira medida reparadora adotada pelos heroicos lutadores após sua vitória sobre as hostes inimigas.

Diz a lenda que, ao adentrarem os judeus, no santuário, profanado durante os anos do domínio sírio, e ao se disporem a acender de novo a luz do candelabro, que devia arder continuamente no altar acharam apenas um cântaro inviolado de óleo sagrado; ainda que seu conteúdo era o que de outras vezes as lâmpadas, consumiam num dia apenas, nesta oportunidade deu oito dias, tempo necessário à preparação de óleo puro. Por isso se chama Chanucá a Festa das luzes, e o candelabro é o símbolo característico desta festa.

 

ANTECEDENTES HISTÓRICOS  

Em meados do século II antes da era atual, encontrando-se Israel sob domínio sírio subiu ao trono Antíoco Epilfanes (175-163); este monarca foi educado na cultura helênica e, desejando converter seu vasto império num conglomerado homogêneo, tratou de impor também a Israel a religião e costumes gregos.

Depois de longos anos de resistência passiva, em que a onda de helenismo ameaçou destruir alicerces do judaísmo, começou a se organizar a revolta. Foram chefes desta, o grão Sacerdote Matatias da família dos Hashmoneus, e seus cinco filhos. E, no ano 162, antes da era atual, ao ordenar Antíoco que se instalasse um altar em louvor a Zeus, no templo’ de Jerusalém, o movimento estalou. A princípio, foi uma guerra de guerrilhas, depois, combates abertos, nos quais o poderoso exercito sírio foi vencido e expulso do país.

Iniciada sob o comando de Matatias, a revolta foi depois dirigida por um dos seus filhos, Yehudá, cognominado (hamacabi). Foi Yehudá que restaurou a Menorá do Templo e que sugeriu fosse esse episódio celebrado todos os anos com oito dias de festa.

 

 

NA SINAGOGA

Uma só cerimônia e uma prece especial diferenciam: o ofício religioso de Chanucá dos outros dias. Na realidade, Chanucá é considerada, sob esse ponto de vista, uma festa menor.

Consiste a cerimônia na iluminação do candelabro de oito braços, que se faz progressivamente durante os oitos dias de festa. Principia-se com uma só luz, junta-se outra no dia seguinte, e assim até ao oitavo dia com todas as luzes acessas.         ,

A oração, agradecendo “pelos milagres”, AI he-Níssim, é uma demonstração de gratidão ao Eterno pelos episódios maravilhosos que, graças à sua proteção, ocorreram nos dias de Yehudá, o Macabeu: “… Entregaste poderosos na mão de débeis, numerosos na mão de poucos; E depois vieram teus filhos à Tua Morada, e limparam Teu palácio purificaram Teu Santuário e acenderam luzes nos Teus sagrados átrios”.

 

NO LAR 

É no lar que a celebração de Chanucá se reveste de maior importância, e são as crianças que aguardam com mais ansiedade sua chegada, pois Chanucá envolve presentes, pastéis e jogos.

A cerimônia do candelabro é cumprida de maneira igual à sinagoga. Ao acender as velas ou lamparinas de azeite o pai pronuncia bençãos às quais a família responde dizendo: “Amém”. Além dos oito braços cada Menorá possui um suplementar, “o servidor”, colocado um pouco mais acima, com o qual se acendem os demais. Preparando o candelabro, todos entoam em coro o Maoz Tsur, Melodia popular, cujo texto recorda as quatro épocas de perseguição: a egípcia, a babilônia, a de Hamám e a de Antíoco, felizmente sobrevividas pelo povo hebreu.

Em troca, esse tempo é dedicado a jogos, alguns deles inspirados em antigos passatempos. O mais popular é o sevivon ou drêidel (do alemão drehen = girar ou tendeln = demorar a cair) espécie de pião de quatro faces, em cada uma das quais se acha inscrita uma letra hebraica: são as iniciais de quatro palavras que, em conjunto, significam; “Um grande milagre aconteceu ali”. Cada uma dessas faces tem um certo valor, de acordo com o qual se determina o vencedor do jogo.

As panquecas de queijo, làtquess, que recordam o feito de Yehudit, a heroína  judia, relembrada por ter abatido o general grego Holofornes. A melodia do Maoz Tsur é a tradicional canção entoada nesta festividade. E assim transcorrem os oitos dias de Chanucá, durante os quais reina uma atmosfera de alegria nas comunidades judaicas do mundo.

Chag Chanucá Sameah!

Sonia Federman
Coordenação de Matérias Judaicas
2º ao 5º ano EF I

 

 

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